segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Ventos e velas - Scheidt e Prada conquistam a vaga para os Jogos de Londres/2012

por MariPeccicacco
Fred Hoffman registrou a comemoração da dupla
Dupla venceu as duas regatas da Star desta sexta-feira (10/2), na Semana Brasileira de Vela, e mantém invencibilidade desde maio de 2011
Robert Scheidt e Bruno Prada vão disputar os Jogos Olímpicos de 2012. Com a vitória nas duas regatas desta sexta-feira (10/2), a dupla conquistou o título da Semana Brasileira de Vela, em Búzios (RJ), segunda seletiva olímpica, somou mais um ponto e carimbou o passaporte para Londres. Líderes do ranking mundial da Star, Scheidt e Prada já tinham um ponto, pelo bicampeonato no Mundial de Perth (AUS), a primeira seletiva. Scheidt e Prada estão invictos desde maio do ano passado e completaram nesta sexta-feira o nono título consecutivo.

Em Búzios, Scheidt e Prada fizeram uma competição impecável. Venceram as dez regatas realizadas, mesmo em dias de ventos fracos, condição desfavorável aos dois e atípica para a raia carioca. A vitória confirma o favoritismo da dupla, que mantém a invencibilidade desde maio do ano passado.
“O favoritismo me acompanha há muitos anos. Em todas as minhas participações olímpicas, fui como favorito. Temos que ficar tranquilos, fazer o nosso trabalho e saber que os resultados que a gente já teve não garantem nossos próximos resultados”, defendeu Scheidt.
Juntos, Prada e Scheidt somam cinco medalhas olímpicas: quatro de Scheidt, com dois ouros e uma prata na Laser e uma prata na Star, e uma de Bruno, a prata na Star, em Pequim. “O importante é seguir o que a gente vem fazendo, que é a evolução do nosso equipamento, a melhoria das nossas manobras. E temos de ficar com a cabeça boa, naquela semana, para tomar decisões. Nunca acertamos todas, mas acertando a maioria, você já se coloca entre os primeiros”, completou o bicampeão olímpico.
Scheidt admitiu ainda que sente a responsabilidade de representar o Brasil na classe Star, na Olimpíada. “Temos um pouco de responsabilidade, porque o Torben Grael e o Marcelo ganharam muitos títulos, são bicampeões olímpicos na Star. É uma classe com muita tradição no Brasil”, disse.

Preparação para disputa acirrada com ingleses
Scheidt prefere a cautela ao falar da disputa olímpica em Londres: “Vai ser muito duro, porque os ingleses conhecem muito bem a raia, a meteorologia local, e são os atuais campeões olímpicos. Iain Percy e Andrew Simpson são a dupla a ser batida, além da dupla polonesa, que é muito forte, a sueca, a holandesa. Temos muito trabalho a fazer, mas acho que estamos no caminho certo”, explicou o velejador.

A preparação para a Olimpíada de Londres inclui ainda outras cinco competições e dois períodos de treino em Weymouth no final de maio e em julho. A cidade inglesa é a mesma que vai receber as regatas dos Jogos Olímpicos.
“O número de competições não é tão grande porque estamos planejando um treinamento específico em Weymouth. As condições são muito duras, com frio, correnteza forte, ventos que variam bastante. Precisamos estar acostumados a velejar por lá. A raia da medal race será bem próxima da saída do porto, embaixo de um castelo, um lugar com um vento maluco. Por isso queremos ir para lá duas vezes, para velejar muito nessa raia”, apontou Scheidt, acrescentando que, por contar com apenas 16 barcos em disputa, na Olimpíada, a Star terá muitos pontos em jogo na Medal Race. “A regata vale em dobro e não pode descartar. Dificilmente alguém vai abrir uma distância tão grande de pontos. Decisão, só no final.”
Para os Jogos de Londres, Scheidt e Prada devem usar o mesmo barco com o qual conquistaram o bicampeonato mundial, em Perth, na Austrália. “O PStar foi fabricado nos Estados Unidos e a ideia é competir com ele em Londres. Mas antes disso ainda vamos testar um outro barco, italiano, na competição de Palma de Maiorca, em abril, para ver se ele pode ser ainda melhor em algumas condições do que o PStar. Caso a gente decida que não é, já temos o nosso barco, que sabemos que rende muito bem”, apontou Scheidt.

“Temos que administrar as lesões”
Exigente, Robert Scheidt admite que o nível de cobranças tende a crescer na reta final da preparação para os Jogos de Londres. “Como dupla, eu e o Bruno crescemos muito, mas ainda tem algumas coisas para melhorar nas manobras, nas tomadas de decisão. O Bruno, como proeiro, é um dos melhores do mundo hoje em dia. O cuidado, agora, tem que ser administrar as lesões, porque já estamos com uma idade um pouquinho mais avançada. Quando treinamos muito, alguns pontos já começam a pegar um pouco mais. Para mim, o problema é costa, cervical, e o Bruno está sentindo um pouco também a lombar. Mas estamos com um fisioterapeuta nos ajudando “, revelou.

“O mais importante agora é a gente chegar inteiro na Olimpíada, ou seja, fazer um planejamento de treinos intensos, mas que não deixe problemas físicos. Se você treinar demais, chega muito cansado na competição. Temos que chegar descansados, mas ao mesmo tempo com 100% de capacidade, esse é o nosso grande desafio”, concordou Bruno Prada.
Prada destaca ainda a importância da Sail for Gold, regata que será realizada em junho em Weymouth, entre os dois períodos de treino da dupla na raia olímpica. “Será uma competição importantíssima para nós”, disse. Em sua segunda olimpíada, Bruno faz um balanço positivo da evolução da dupla. “Acho que estamos chegando muito mais preparados do que em Pequim. Na verdade, a gente nem era velejador de Star. Éramos um velejador de Laser (Scheidt) e um de Finn (Prada), tentando velejar na Star. Amadurecemos bastante neste ciclo olímpico, e estou bastante animado para esses últimos seis meses de campanha”, ressaltou.

Classificação final da Star após dez regatas:
1º – Robert Scheidt e Bruno Prada, 10 pontos perdidos (1+1+1+1+1+1+1+1+1+1)
2º – Alessandro Pascolato e Henry Raul Boening, 24 pp (2+2+4+3+3+2+2+2+2+2)
3º – Reinaldo Conrad e Ubiratan Matos, 36 pp (5+4+3+5+4+3+3+3+3+3)
4º – Gastão Brun e Gustavo Kunze, 42 pp (3+3+2+2+2+6+6+6+6+6)
5º – Luiz André A. Reis e Renato Moura, 53 pp (4+5+5+4+5+6+6+6+6+6)
Da assessoria de imprensa

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