segunda-feira, 2 de abril de 2012

Ventos e Velas - Líderes da VOR cruzam o cabo Horn

Por MariPeccicacco - Coluna  Murillo Novaes
Groupama é o primeiro a passar pela temida região mais ao sul das Américas; Em terceiro, Telefónica fará parada rápida para arrumar o barco
Itajaí (SP) - Restam menos de 2 mil milhas náuticas para o Groupama e o Puma cruzarem a linha de chegada em Itajaí, na perna mais desgastante e longa da Volvo Ocean Race 2011/2012. A previsão é de que os dois apareçam na cidade catarinense na próxima semana. Os barcos foram os que menos sofreram com os ventos fortes e as ondas gigantes dos mares do sul. Nesta sexta-feira (30), as equipes passaram pelo temido Cabo Horn, na Terra do Fogo. O local é a parte mais ao sul do Américas, além de ser famoso por condições severas de navegação. Trajeto mítico da vela, a passagem pelo Horn é considerada sonho de consumo pela maioria dos participantes da volta ao mundo.


Cansados, os velejadores dos dois times projetam uma espécie de match race até o Brasil. A diferença dos franceses para os norte-americanos é menor do que 15 milhas náuticas, aproximadamente uma hora de diferença. Ou seja, a rotina a bordo será intensa nos próximos dias para aproveitar melhor os ventos. “O Puma é, agora, o nosso rival mais perigoso, então estamos navegando de maneira conservadora e parecida com a deles. Para a classificação geral, seria bom chegar a Itajaí na ponta” declara Franck Cammas, comandante do Groupama.
A declaração do líder do veleiro francês é compartilhada por seus tripulantes, que pretendem foco total para repetir o desempenho da última perna e terminar em primeiro lugar, reduzindo a vantagem na classificação geral para o líder Telefónica. “Ligamos o ‘Race Mode’ (modo de corrida) a partir de agora. Mesmo com o desgaste do percurso, precisamos manter a liderança. Este é o ponto que chamo de ‘Cabo da Libertação’. É onde a Volvo Ocean Race começa de fato”, comenta Thomas Coville, do Groupama.
A tendência é que, a partir de domingo (1), as condições meteorológicas devem ser menos extremas: menos frio e mar estável. “Nós estudamos atravessar da melhor maneira o Cabo Horn desde o instante em que deixamos Auckland. Cruzar esse trecho é um marco. Poucas pessoas conseguem alcançar esse feito. É o Cabo Horn, faça chuva ou faça sol”, relata o emocionado tripulante de mídia do Puma, Amory Ross.
O Telefónica confirmou nesta sexta-feira que fará uma parada estratégica no Cabo Horn. O pit stop seria feito na cidade Ushuaia, na Argentina, mas a mudança foi antecipada e acontecerá na região do próprio cabo. O diretor técnico do veleiro espanhol, o brasileir Horácio Carabelli já está a caminho para ajudar os companheiros. “Decidimos fazer essa interrupção para reparar a proa e seguir viagem de maneira rápida e segura. Ainda bem que a zona do Cabo Horn é um labirinto de ilhas, que nos ajudará a fazer esse procedimento de maneira eficaz”, afirma o comandante Iker Martinez.
Já o Abu Dhabi quebrou pela segunda vez na etpaa e deve atrasar ainda mais a chegada ao Brasil. Após avaria no início da perna e um retorno a Auckland, os árabes foram obrigados a fazer um conserto no casco em pleno Oceano Austral. Foram colocados mais de 30 parafusos no deque para impedir que o barco se despedace ao meio. O trabalho durou cinco horas.
“No momento, a única prioridade continua sendo a segurança do barco e da tripulação, mas eu confesso que estou muito mais relaxado a esse repeito agora do que eu estava há 24 horas”, explica Ian Walker, comandante do barco. O Sanya está fora da perna e o Camper, quarto colocado, também tem problemas e está velejando em direção a Puerto Montt, no Chile, para reparos em terra

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