quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Ciclismo Urbano - Num clima de "Nunca desista de seu sonho", o belga Philippe Gilbert afinal disse a que veio na temporada, com a conquista do Mundial na Holanda

Por Daniel Balsa
Foto: Graham Watson
A expectativa era enorme. Após um 2011 arrebatador, com 24 vitórias, conquistando todas as Clássicas das Ardenas e vestindo a camisa de líder do Tour de France, o belga Philippe Gilbert iniciou a temporada com o desafio de provar que era digno da coroa nas corridas de um dia. O que se viu, no entanto, foi o “rei” das Clássicas passar a temporada de 2012 quase que toda com a pecha de “a decepção do ano”. O ciclista belga simplesmente chegou até o final de agosto em branco. Não venceu nem em provas menores, a ponto de ser apontado como mero figurante até em provas pequenas. Piadinhas não faltaram sobre o seu desempenho. Mas quando todos consideravam que Gilbert havia encostado seu burro na sombra, já que está apenas na primeira temporada de um contrato de três anos com a BMC, eis que o belga tira uma carta da manga. Aliás, a última grande cartada da temporada: o Campeonato Mundial, disputado em Limburgo, na Holanda — para o qual, aliás, ele havia reservado o melhor de suas forças.




Gilbert encerrou 2011 já de olho no Mundial, e não escondeu isso de ninguém. Sabia que o percurso lhe era favorável e que não teria outra oportunidade tão boa para ganhar esse campeonato. A resposta de Gilbert às críticas veio com um ataque durante a subida do Cauberg, faltando cerca de 1,5 km para o final do Mundial. Com o grupo já selecionando, ele acelerou ao seu estilo: com força e sem olhar para trás. O ciclista belga só voltou seus olhares faltando 100 metros, quando teve a certeza de que ninguém o alcançaria. Então, levantou os braços e contemplou o sonho de ser campeão mundial.


A Rainha Holandesa

No feminino, a coroa ficou com Marianne Vos, o maior nome do ciclismo mundial na atualidade. Não importa a modalidade, ela tem desempenhos excelentes, seja na pista, no mountain bike, no ciclocross ou na estrada. Tem duas rodas e se pedala,
a holandesa está entre as melhores.

Vos surgiu para mundo do ciclismo de estrada em 2006, quando conquistou a camisa arco-íris em Salzburgo. Entre 2007 e 2011, a holandesa terminou o Mundial na segunda colocação. Enfim, a série de “quases” acabou nesta temporada. E em grande estilo: na subida do Cauberg, a campeã olímpica executou um ataque tão exuberante que nenhuma adversária foi capaz de reagir. “Este ano foi muito especial. Após o ouro olímpico, me concentrei no Mundial. Durante a prova, me senti muito bem e sabia que poderia conquistar a camisa”, destacou a holandesa.

Dobradinha Alemã

Já no contrarrelógio, os alemães Tony Martin e Judith Arndt mantiveram seus títulos mundiais em Limburgo. Tiveram a trajetória facilitada por conta da ausência de seus principais concorrentes. No masculino, os principais adversários de Tony — Fabian Cancellara e Bradley Wiggins — não alinharam para a prova, enquanto
no feminino Judith não teve a concorrência da bicampeã olímpica Kristin Armstrong. Barbada? Para Judith Arndt até que foi! A veterana, que anunciou sua despedida do ciclismo antes do Mundial, vai pendurar as sapatilhas vestida de arco-íris. A alemã completou os 24,1 km do contrarrelógio com o tempo de 32min26s, colocando 33 segundos de vantagem sobre a norte-americana Evelyn Stevens e 40 segundos sobre Linda Melanie Villumsen, da Nova Zelândia.

Já Tony Martin teve mais dificuldade entre os homens, mesmo com tantos nomes de peso fora. O jovem Taylor Phinney deu muito trabalho para o alemão e esteve próximo de ser o novo rei do contrarrelógio, mas não deu. Por apenas 5 segundos, o ciclista da Omega Pharma-QuickStep, que teve uma temporada de altos e baixos, entre vitórias e fraturas, conseguiu se manter com a camisa de arco-íris. Foi o segundo ouro de Tony no Mundial de Limburgo. O primeiro veio no contrarrelógio por equipes, a novidade deste ano e que deve permanecer nas próximas
temporadas. Porém, diferentemente das outras competições, esta prova é disputada pelos times ProTour e não pelas nações. Entre as mulheres, o Team Specialized-Lululemon, liderado por Ina Teutenberg, superou a Orica-Ais, de Judith Arndt, e ficou com o título mundial. A Aa Drink-Leontien.nl, de Emma
Pooley, completou o pódio.

O Brasil na Holanda

A Confederação Brasileira de Ciclismo não preencheu todas as vagas a que tinha direito, alegando contenção de despesas (?!?). Na disputa Júnior masculina, Caio Godoy ficou na 60ª colocação, mas apenas a 12 segundos do campeão mundial de sua categoria, o esloveno Matej Mohoric. Na mesma prova, Carlos Henrique
dos Santos chegou em 87º, 28 segundos atrás do vencedor. Entre as mulheres, Regisleyne dos Santos foi a 77ª, e última, a cruzar a linha de chegada, 32min02 atrás da bicampeã, a britânica Lucy Garner. Já na elite, os brasileiros até fizeram boas provas, mas sucumbiram nas voltas finais. Clemilda Fernandes foi a 36ª
colocada, a 4min58s de Marianne Vos, enquanto Rafael Andriato ficou na 49ª posição, com 2min21s de desvantagem para Philippe Gilbert. Dias melhores, espera-se, virão.

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