segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Surf - Limpeza de Praia / Associação Boca do Golfinho dá uma geral no Titanzinho

Por: Gustavo Fernandes Meireles
Foto - Divulgação
Lixo na praia é a maior sujeira! Manhã de limpeza no Serviluz
O alvorecer prenunciava mais um dia de boas ondas no Serviluz – bairro de Fortaleza que respira a cultura do surf e que conta com mais de cinco picos com excelentes condições, incluindo o Titanzinho. Sem muito sol, sem muito vento, após um dia de forte chuva e com a ondulação de norte persistindo em enviar boas ondas para o litoral cearense, não faltavam argumentos para cair na água logo cedo.
Mas a manhã desse sábado reservou convite mais importante: a proteção do meio ambiente, mais especificamente, de nossas praias. Surfar é importante, a quem diga que é sagrado (e é), mas cuidar do nosso planeta é importante e necessário.
Hoje a manhã foi de limpeza de praia no Serviluz!
Quantas vezes vamos à praia para a session nossa de cada dia e nos deparamos com a sujeira do lixo na areia e nas águas? Um canudo ali, um copo acolá, uma sandália velha, tampinhas, plásticos, plásticos, plásticos... Esse é o cenário que nos habituamos a ver em várias praias da nossa costa, de norte a sul do país.
Com a licença do pleonasmo, o hábito nos habitua. Habitua nosso olhar e nossas atitudes. Através da seletividade de nossas retinas, não nos apercebemos do lixo ao nosso redor; do mal que causamos ao jogar um saquinho de parafina na praia, um pacote de picolé ou o copo daquele açaí pós-surf. A paisagem preenchida pela sujeira torna-se habitual, para não dizer banal.
Certa vez, uma filósofa alemã, perseguida pelo nazismo, cunhou a expressão “banalidade do mal” demonstrando como alguém poderia tomar atitudes nefastas (no caso, a perseguição e autorização do extermínio de judeus) sem necessariamente desejar provocar o mal. Podemos adaptar a ideia para diversas atitudes no nosso dia-a-dia, inclusive para a nossa inércia em relação ao meio ambiente e à sujeira em nossas praias. Banalizamos esse mal e nem nos damos conta.
Como diria Paulinho Moska, “o mundo tá muito doente” e clama por mudanças de atitude. Pra iniciar a batera e dropar a primeira onda, a Associação Boca do Golfinho propôs uma operação de limpeza de praia no Serviluz. Juntamente com voluntários, os alunos da Associação, crianças e adolescentes na faixa etária de 6 a 15 anos, deram o exemplo contribuindo para a limpeza da praia onde surfam todos os dias.
A Associação Boca do Golfinho é uma entidade sem fins lucrativos localizada no Serviluz, em Fortaleza, que tem por objetivo promover a cidadania através da prática esportiva com crianças e adolescentes. Além do surf e da capoeira, os alunos participam de debates, momentos de leitura e eventos educativos. Para isso, a Associação conta com o apoio de voluntários que contribuem com a promoção de atividades e doação de materiais. Para além de formar atletas, a Associação Boca do Golfinho tem como meta a formação de cidadãos conscientes.
Eis que apenas uma hora de coleta e mesmo sob chuva, as equipes coletaram uma montanha de lixo. Crianças e adultos se ajudavam e logo a paisagem da praia da Boca do Golfinho já se via menos suja. Para além da paisagem praiana – exterior a cada um dos que participaram da operação de limpeza – a manhã desse sábado lançou a semente para uma limpeza da paisagem interior e o estranhamento do olhar dos participantes em relação ao lixo na praia e à necessidade de preservar o meio ambiente.
Certamente que não será pelas mãos dos mais de 50 voluntários que participaram da operação de limpeza promovida pela Associação Boca do Golfinho que a praia do Serviluz ficará limpa. Mas é na mudança de atitude que podemos vislumbrar uma relação mais harmoniosa do homem com a natureza.
A essência do surf é o equilíbrio. Portanto, surf não combina com praia suja. Ao contrário, o esporte tem muito a ensinar sobre a preservação dos mares, das praias, dos mangues, das dunas e do meio ambiente como um todo. Na canção de Paulinho Moska o mundo pergunta à humanidade: “Por que você me trata mal, se eu te trato bem?; por que você me faz o mal, se eu só te faço bem?”.
Lixo na praia é a maior sujeira! Se quisermos preservar nosso habitat preferido, precisamos cuidar, e com urgência. E a principal mudança é a das nossas atitudes. De fato valeu trocar o convidativo surf matinal pela atividade de limpeza promovida pela Associação Boca do Golfinho. Que ações como essa se multipliquem ao longo da costa e que nossos olhares não se habituem e banalizem o mal da sujeira cotidiana.

Obrigado a todos os voluntários e apoiadores. Participe você também!

Para maiores informações sobre a Associação Boca do Golfinho e sobre como fazer para doar pranchas, cordinhas e outros materiais, visite a página no Facebook:http://www.facebook.com/associacaobocadogolfinho

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