quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Surf - Shorts brasileiros

Por Tulio Brandão
Raimundo Pena nas Mentawai, Indonésia. Ousado empresário patrocina Adriano de Souza e põe a marca Pena no circuito mundial. Foto: Divulgação Pena.
intrépido Ader Oliveira trouxe ao Waves semana passada uma exclusiva bombástica: Adriano de Souza, o brasileiro que se consolidou entre os melhores do mundo, o cara que está sempre ali, na briga pelas cabeças, fechou contrato de patrocínio principal com a Pena.


A notícia revela a recuperação do empresário brasileiro na cena mundial. Depois da primeira onda, quando Teco, Fabinho, Vitinho e tantos outros viajavam o mundo vestindo marcas nacionais, o surfista brasileiro foi cooptado pelos grandes players da surfwear no mundo – todos com boa representação no Brasil, é claro, mas sem representar a bandeira.

A contratação joga aos holofotes o empresário cearense Raimundo Bernardo, o Pena, que começou transformando monoquilhas e biquilhas para os amigos de Fortaleza. Hoje, o cara gera, segundo as informações do site da marca, 300 empregos diretos e aproximadamente 600 indiretos, além de ter 25 representantes espalhados por todo o Brasil.

Por todo o símbolo que a notícia carrega para a indústria de surfwear brasileira, não seria absurdo ver uma manchete invertida: “Pena conquista Adriano.” 

A repatriação lembra, em certa medida, o que tem ocorrido no futebol, com clubes trazendo seus craques de volta.  Só que Mineiro, diferentemente de outros Adrianos boleiros por aí, não pretende se jogar na balada. Ao contrário: vai continuar com a faca entre os dentes.

O futebol abre um parêntese para outro tema no texto: clubes que começam a copatrocinar atletas de surfe. Mineiro está no Corinthians, Alejo foi parar no Santos. A prática, na verdade, não é novidade nos esportes de prancha: no início da década passada, num ano em que o dinheiro de fora jorrou de alguns clubes brasileiros, alguns atletas surfaram por clubes. 

Ainda não consegui ver nessa ação algo além de uma isolada ação de marketing. Só os desdobramentos nos dirão se realmente os clubes de futebol vingarão no surfe.

De volta aos empresários brasileiros, vale ainda novamente a menção ao Petrônio Tavares, dono da Greenish, também de origem cearense, ao lado do irmão Rubens. A marca, além do crescimento espantoso, apoia um importante prêmio do surfe brasileiro. 

Ano passado, no meio da tormenta, Petrônio passou por uma prova definitiva de caráter. Estava ao lado de Aldemir Calunga no acidente do México que quase lhe custou a vida. Em vez de um auxílio burocrático e distante, Petrônio redefiniu a relação entre surfista e patrocinador. 

Assumiu o comando do tratamento de Calunga, transferiu-o a um hospital de boa infraestrutura e não desgrudou do atleta até deixá-lo recuperado no Brasil.

Pena, Petrônio e seus sócios têm mostrado tanto valor na condução da surfwear brasileira que dá até para imaginar que eles saíram da mesma família. E saíram mesmo: são todos irmãos. E, além disso, são do Ceará, terra de gente brava e determinada.

Como disse dia desses um leitor no fórum do Waves: “Está mais que na hora de comprar mais shorts brasileiros”.

Tulio Brandão é jornalista, colunista do site Waves e autor do blog Surfe Deluxe. Trabalhou nove anos no Globo como setorista de meio ambiente e outros três anos no Jornal do Brasil, onde cobriu surf e outros esportes de prancha. Atuou ainda como gerente de Sustentabilidade da Approach Comunicação. Na redação, ganhou dois prêmios Esso, um Grande Prêmio CNT e um Prêmio Abrelpe.  


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