sexta-feira, 8 de março de 2013

Escalada - Especial Dia das Mulheres: elas não têm medo de altura

Por Pedro Sibahi
Janine Cardoso venceu nove vezes o campeonato brasileiro de escalada. Foto: Lucas Trotta
No Dia Internacional da Mulher, o Webventure homenageia o sexo feminino mostrando que elas não têm nada de frágeis, seja disputando uma modalidade na terraágua ou alturas.
Muitas pessoas não se arriscam em uma parede de escalada, mas atletas como Janine Cardoso, que pratica o esporte há 20 anos e já venceu nove vezes o campeonato brasileiro da modalidade, tira o desafio de letra.
Para ela, “a presença das mulheres no esporte, no Brasil e exterior, aumentou consideravelmente. Na escalada esportiva mundial, as mulheres estão atingindo níveis bem altos, impressionando inclusive os atletas masculinos”.

Segundo ela, a presença feminina na rocha ainda é menor que nas paredes indoor, mas este cenário também está se alterando. “Hoje vejo a mulherada superando seus medos após vivenciá-los”, contou. “Acredito que o homem faz parte desse incentivo para nós, apresentando o esporte e ajudando a desmistificar o lado psicológico”, completou.

Thaís Makino, blogueira do Webventure e escaladora há 14 anos, ressalta que “não só o número de escaladoras que aumentando. O nível da escalada feminina está ficado cada vez mais parecido com o dos homens”. Para ela, muitas enxergam um obstáculo o fato da escalada aparentemente ser dominada por homens, ou não estão abertas a ideia de praticar um esporte radical.

“Mas não se pode generalizar, acredito que essas duas reações sejam cada vez mais raras e que as mulheres têm explorado muito mais esportes diferentes do que há alguns anos atrás”, afirmou Thaís.

Além do medo, a preocupação com unhas perfeitas e calos nas mãos, junto com a necessidade de se treinar mais a força após um determinado nível, podem ser obstáculos. Para Janine, “o incentivo, paciência e otimismo de quem rodeia uma principiante ou uma mulher em evolução é chave fundamental para que ela se sinta motivada a continuar tentando”.

Vaidade. Sem preocupações exageradas com a aparência, Janine é o tipo de mulher que não sente falta de adereços em uma escalada, mas admite que sempre usa um brinco pequeno. “No período da manhã, seja para escalar em rocha ou treinar, gosto de rímel nos olhos para acordar.”

Já Thaís não se separa dos grampos de cabelo. ”Eles estão espalhados por todos os meus acessórios: mochilas, sacos de magnésio e até mesmo no armário da academia. Sem os acessórios fico impossibilitada de enxergar as agarras à minha frente, então os deixo estrategicamente perdidos por aí”.

Incentivo. Para as meninas que pensam em iniciar no esporte, a dica é buscar uma academia ou curso especializado. “Comecem a praticar e não se comparem com as mais experientes. O medo também faz parte sempre”, completa Janine.

Ela ainda ressalta que “a mulher tem que sentir vontade por si mesma e se identificar com o universo da escalada, desde a parte física até os conhecimentos técnicos inerentes”. Thaís lembra que o esporte traz diversos benefícios à saúde física e mental, “auxiliando desde a coordenação motora, equilíbrio, força e consciência corporal, além da concentração e raciocínio para resolução de problemas. É um esporte que combate o stress, pois promove o contato com a natureza e um estilo de vida menos workaholic”.

Mais alto. Outra mulher que se lança às alturas, com 1.100 saltos de paraquedismo no currículo, Sol Majoros se destaca por conciliar a vida de mãe e presidente de vendas e marketing de uma grande empresa com o esporte.

Ela começou a saltar em 2009, mas desde jovem se envolvia com atividades mais radicais como o skate. Questionada se as pessoas se assustam a ver uma mulher saltando, ela responde que em geral se impressionam.

“Quando conto que pratico paraquedismo, as pessoas realmente ficam interessadas e me fazem muitas perguntas, além de admirar minha coragem e determinação. Digo que faz parte da minha personalidade. Sou uma mulher moderna, para frente e gosto de desafios”. 

Para quem pensa em começar no esporte, sol afirma que “o salto precisa ser divertido e seguro. Faça sempre saltos conscientes e se lembre que você é responsável pela segurança do seu amigo. Caso pense em competir, nessa vida tudo é possível, basta querer”. 




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