terça-feira, 14 de maio de 2013

Surf - Brasileiro na Pororoca, Adilton Mariano domina o rio

Fonte Waves
Adilton Mariano venceu o 13º Campeonato Brasileiro de Surf na Pororoca, sagrando-se hexacampeão da prova que aconteceu entre os dias 24 e 30 de abril, no Rio Araguari (AP). O evento aconteceu simultaneamente ao 3º Campeonato Brasileiro de Bodyboard Feminino na Pororoca, e foi uma realização da Associação Brasileira de Surf na Pororoca (ABRASPO), entidade que há 15 anos promove e divulga o surf neste tipo de fenômeno em alguns dos lugares mais remotos do mundo. 

Adilton Mariano vence o Campeonato Brasileiro de Surf na Pororoca nas caudalosas águas do Rio Araguari (AP). Foto: Raimundo Paccó.

Durante cinco dias atletas de sete estados encararam as caudalosas águas do Rio Araguari, em busca da premiação e dos títulos em disputa.

A ação teve início no primeiro dia de janela do evento com o mapeamento e o reconhecimento das bancadas por parte da comissão técnica e atletas convidados.

As ondas ainda estavam fracas, mas todos os atletas conseguiram surfar a onda e principalmente aqueles que nunca haviam tido contato algum com o fenômeno, puderam se familiarizar com as ondas de maré e suas particularidades.

No segundo dia, já com as baterias, estratégias de arbitragem, segurança e ataque definidas, a competição começou com a primeira fase das duas modalidades em uma bancada situada na margem esquerda do Rio Araguari. 

Os primeiros a caírem na água, de acordo com o sorteio das baterias, foram os surfistas Stanley Gomes e Josenildo Silva, ambos do Amapá. Stanley avançou para a fase seguinte. 

Na sequência, foi a vez do maranhense Amaury Oliveira enfrentar o cearense Ícaro Lopes. Afiadas estacas de bambu obrigavam os atletas a combinar batidas e rasgadas com manobras evasivas. O maranhense Amaury Oliveira, acostumado a surfar a pororoca de seu estado, conseguiu superar seu oponente.

A terceira bateria foi definida por W.O. devido a ausência do paranaense Sérgio Laus que não compareceu à bateria. Melhor para Adilton Mariano, que não precisou fazer esforço algum para avançar na competição.

Na quarta bateria o campeão da prova do ano passado, Rogério Barros “Pingo”, não teve dificuldade para despachar seu oponente, o francês convidado especial do evento, Franco Piserchia, e seguir na prova.

As semifinais começaram com a vitória do maranhense Amaury Oliveira sobre Stanley Gomes. A segunda semi foi marcada pela disputa entre Rogério Barros e Adilton Mariano. Adilton não deu chance para Rogério e garantiu presença na final. 

Na grande final entre Adilton Mariano e Amaury Oliveira, Adilton desferiu uma série de manobras ao longo da bateria que elevaram a sua nota à pontuação máxima, sacramentando asiim a vitória que o recolocou no trono e o devolveu o título de Rei da Pororoca com a conquista do Hexa Campeonato Brasileiro.

“Para mim foi muito difícil ter perdido o título no ano passado. Cheguei no Amapá determinado a dar o melhor de mim e reconquistar o título”, declarou Adilton, na entrega da premiação, realizada capital Macapá, marco zero da linha do Equador.

“Eu amo surfar a pororoca. Essas águas mágicas já me proporcionaram algumas das maiores alegrias e lições de minha vida e hoje eu estou muito feliz por ter conquistado o Hexacampeonato. Sem falar que hoje é meu aniversário e eu não poderia ter recebido um presente melhor”, adicionou o atleta.

Para Chico Pinheiro, residente no Amapá e responsável pelo desenvolvimento dos procedimentos de segurança adotados pela ABRASPO, um dos maiores serviços prestados ao Brasil pelos caçadores de pororoca é justamente o monitoramento contínuo e sistemático de regiões remotas do país, como acontece no Rio Araguari.

Segundo ele, a presença constante dos surfistas e a observação atenta das mudanças da geografia da região, tudo registrado em fotos e vídeos, constituem um rico banco de dados que um dia poderá servir para que possam compreender melhor as transformações que a floresta Amazônica sofre desde da década de 1990, quando se iniciaram as incursões à pororoca do Araguari.

“Quando nos embrenhamos no coração da floresta, além de estarmos garantindo a soberania do país nestas áreas remotas, podemos perceber claramente as mudanças ambientais ocorridas de um ano para outro, a abertura artificial de canais entre as ilhas, por exemplo”, declarou Chico Pinheiro. 

Para Roberto Fernandes, Diretor da ABRASPO, não há dúvida quanto ao potencial turístico do fenômeno. A grande questão é quanto tempo ainda irá levar para que a pororoca se consolide como a maior alavanca do turismo para o Estado do Amapá. 

“Apesar de a pororoca não ser exclusividade do Brasil, apenas aqui podemos surfar ondas de maré em locais urbanos como no Maranhão e também em áreas remotas como as pororocas do Amapá e do Arquipélago do Marajó (PA). Tenho certeza que em breve a pororoca brasileira será reconhecida como um dos destinos mais cobiçados do surf”, afirmou o dirigente.

por George Noronha

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