sábado, 1 de junho de 2013

Ciclismo Urbano - Meninas no Pedal, Mulheres pedalam em grupos exclusivamente femininos

Por Willian Cruz
Foto: Arquivo Pessoal
A presença feminina neste universo é menor. Mas as mulheres que aderiram ao pedal urbano têm entusiasmo igual ao dos homens. E há até grupos exclusivos de meninas que se encontram para pedalar uma vez por semana, em passeios coletivos que reúnem ciclistas iniciantes e experientes — a ideia é, justamente, promover a troca de experiências, aprender as manhas para pedalar nas ruas da cidade grande e compartilhar dicas sobre o uso e a manutenção de bicicletas, como trocar pneus, por exemplo. A VO2 foi conhecer dois desses grupos de bikers do batom, e conta o que viu a seguir. São exemplos, no mínimo, inspiradores.

Biketerapia

Em 1992, Teresa D’Aprile fundou em São Paulo o grupo Saia na Noite, hoje com mais de 900 mulheres cadastradas, de vários pontos do País. O objetivo era iniciar as meninas nas pedaladas, mas o trabalho vai bem além da bicicleta: “Trabalhamos muito com a cabeça, não só com o corpo”, explica Teresa, cujo grupo reúne até 50 meninas na pedalada oficial, durante a semana, número que ela considera ideal. “Mais que isso não dá”, lamenta.

“Pedalar com esse grupo mudou a minha vida”, revela a jornalista Sônia Skroski, que entrou no Saia na Noite em 2003 e, aos 60 anos, mantendo a forma física divertindo-se sobre uma bike, exibe uma disposição de fazer inveja a adolescentes, além de colecionar amizades que transcenderam o encontro semanal. “Larguei a terapia e fui pedalar sorrindo, espairecendo, vento no rosto”, diz.

O grupo realiza passeios temáticos e outros mais longos, além dos encontros informais entre as meninas. “Vamos a exposições, despedidas de solteira, tomamos sorvete juntas”, descreve Teresa, que usa a bicicleta como transporte desde 1985. O roteiro é definido na hora, em um bate-papo entre as ciclistas. “A gente faz o que quiser, é só ter vontade”, afirma. Os encontros são boas oportunidades de adquirir autoconfiança para encarar, sozinhas, as mudanças de marcha e o freia e acelera da bike, além do trânsito pesado da cidade, tendo outra mulher como espelho. Mas, ao conseguir vencer medos e desafios na bicicleta, outras conquistas vêm na garupa. “A vida muda com relação a tudo”, avalia a criadora do grupo. Quer ir também? Confira os dias e horários no site www.saiananoite.com.br.

Em busca da liberdade

A segurança de um ambiente de compreensão, em que as mulheres trocam experiências e compartilham dicas sobre o uso da bicicleta como meio de transporte, é também o traço que une as ciclistas do grupo Pedalinas, nascido em São Paulo em 2009. A ideia dos encontros é ajudar as meninas a entender seus medos e superar barreiras, que muitas vezes vão além do trânsito em si. “São barreiras pessoais e internas, que a bicicleta ajuda a descobrir”, conta Aline Cavalcante, uma das integrantes de primeira hora do coletivo.

Os encontros estimulam a conquista de liberdade, a segurança e a independência diante de um trânsito machista e hostil. Ensinam a pedalar nas ruas, a consertar a bicicleta e até a fazer cicloviagens. “Sou absolutamente outra pessoa depois que descobri a bicicleta”, acredita Aline. “Mudou a maneira como enxergo a vida, passei a ver nas coisas mais simples a verdadeira beleza”, filosofa, sem deixar de ser realista. “A bicicleta sozinha não muda o caráter, é preciso estar disposta a isso.”

Há casos de meninas que, quando conheceram o grupo, nem sabiam andar de bicicleta, e hoje, seguras e felizes, fazem dela o seu principal meio de transporte. Mais uma prova de que bicicleta também é coisa de menina. Quer participar? Confira os detalhes no site www.pedalinas.wordpress.com.

Matéria publicada na revista VO2 Max, edição 89, fevereiro/13



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