segunda-feira, 10 de junho de 2013

Surf - O caçador de ondas foi destaque na página Esportes Radicais do último domingo

Por George Noronha
Mardônio Filho-Foto-Everton Luiz (1)
Navegar é preciso, viver não é preciso. A famosa frase imortalizada pelo poeta português Fernando Pessoa é tão antiga quanto o próprio desejo do homem de expandir seus limites e desbravar o desconhecido.

Mardônio Filho-Ilha de ASU-Foto-Marcelo Freire (2)
Notoriamente, uma das tribos que mais encarnam essa máxima como estilo de vida é a dos surfistas. Para esses fissurados, onde quer que as ondas estejam é pra lá que eles vão.
Na história do surf cearense nomes como Kadinho, Picolé, dentre outros, se notabilizaram por serem exploradores natos que há mais de três décadas desbravam os principais picos de surf do planeta. Entre seus destinos preferidos estão alguns dos mais desejados paraísos do planeta: Havaí, Taiti, México, Peru, Fiji, etc, etc, etc. Entretanto, o movimento que foi criado pelos pioneiros caçadores de ondas floresceu em alguns discípulos como o surfista Mardônio Filho, que nesse exato momento está do outro lado do planeta, mais precisamente na ilha de Bali, no arquipélago das 17 mil ilhas, conhecido como Indonésia.
O nascimento de um viajante
Costumo dizer que ninguém vira um viajante. Você nasce com esse perfil e o que realmente acontece é que com o tempo você se descobre um explorador. E para ilustrar o que estou falando vou apresentar, mesmo que de forma resumida, o processo de construção de um viajante de surf ilustrando com o exemplo de um cearense que também me influenciou bastante nesse sentido: Mardônio Filho.
Mardônio começou suas incursões pelo mundo do surf há mais ou menos vinte anos, quando fundou uma empresa para levar surfistas, competidores ou não, para pegar ondas nas principais praias do Nordeste. Com uma VAN ele conduziu toda uma geração de adeptos do esporte dos reis havaianos para conhecer e surfar em paraísos como Porto de Galinhas-PE, Praia do Francês-AL, Pipa e Baía Formosa no Rio Grande do Norte, dentre outras praias. Contudo, não tardou para que o Nordeste ficasse pequeno para seu desejo de ir além. Foi aí que ele começou a viajar para o Arquipélago de Fernando de Noronha, conhecido no Brasil do surf como o Havaí Tupiniquim.
Mesmo com as repetidas incursões à Esmeralda do Atlântico, pegando ondas reconhecidamente de qualidade internacional, a vontade de romper a barreira das fronteiras nacionais gritava cada vez mais alto em sua alma. Foi então que no ano de 2007 ele não somente saiu do Brasil, como atravessou dois oceanos e foi parar na Indonésia. E como toda viagem ao desconhecido, Mardônio descobriu um mundo que só conhecia através de páginas de revistas e filmes de surf. Lembro dessa viagem como se fosse hoje. As histórias das ondas perfeitas e tubos intermináveis, os relatos sobre a cultura e hospitalidade daquele povo que cativa todos que têm a oportunidade de colocar seus pés naquele solo e claro, no caso dos surfistas, no mar, eram de seduzir qualquer surfista de alma.
“Fiquei extasiado quando fui para a Indonésia pela primeira vez. Mesmo já tendo visto muitas fotos e vídeos eu não imaginava o que encontraria”, explicou o viajante.
Realmente, o choque cultural de quem vive no Ocidente e vai pela primeira vez à Indonésia é muito grande. Os costumes e rituais das religiões Hindu e Muçulmana são marcantes para quem passou a vida inteira sob os dogmas cristãos. Estátuas de ídolos e oferendas por toda parte não deixam o visitante esquecer por um só instante que respeitar a cultura local e as tradições religiosas é mais do que um comportamento ético. É uma obrigação para todo e qualquer viajante. Entretanto, a experiência mais marcante que todo surfista poderá ter na Indonésia sempre será, sem sombra de dúvidas, o contato com as ondas perfeitas. Para quem é apaixonado pelo surf não pode existir lugar melhor no mundo para se estar que na Indonésia durante a temporada de ondas.
E assim como os pioneiros, que inspiraram gerações com suas viagens a procura da onda perfeita, os périplos de Mardônio também têm servido de motivação para que vários surfistas da sua e das novas gerações sigam seus passos pelo mundo do surf e mantenham cada vez mais vivo o sonho do verão sem fim. Eu fui um dos que foram contagiados diretamente pelas incursões não só dele, mas de todos os cearenses que há décadas desbravam o mundo na infinita busca pela onda da vida.
Noronha pelo mundo
Como todo bom viajante eu estou sempre planejando a próxima viagem. E novamente mais uma aventura está se construindo. Dessa vez o destino será o Peru, a Terra Sagrada dos Incas, onde buscaremos desvendar os segredos desse povo milenar que mantém uma estreita relação com o mar do Oceano Pacífico. Esportes radicais, as origens do surf, os artefatos utilizados pelos peruanos para deslizar nas ondas há mais de 3 mil anos, as mais longas ondas do mundo, ruínas de antigas civilizações, Machu Picchu, a Cidade Perdida dos Incas, palácios e pirâmides milenares, gastronomia e muito mais.
Tudo isso você irá conferir nos próximos dias nas páginas do seu Diário do Nordeste, no blog Manobra Radical, além de conteúdos exclusivos no DN Plus. Você que adora aventuras e dicas de viagem não pode perder mais um projeto das páginas mais radicais do seu DN.
SAIBA MAIS
Todo surfista que pretenda iniciar uma caçada à procura da onda perfeita deve iniciar por praias próximas dentro do seu próprio estado.
Em seguida experimente viajar para surfar em estados vizinhos. O Nordeste é bem generoso para com os surfistas e oferece várias opções durante o ano inteiro.
Em seguida cogite ir para Fernando de Noronha, a Esmeralda do Atlântico. Apesar de ser mais caro que alguns destinos internacionais, você surfará ondas de qualidade internacional mesmo ainda estando em território nacional.
Uma boa opção de viagem internacional é o Peru. O baixo preço das passagens e hospedagens associado à alta qualidade das ondas tornam esse destino um dos preferidos dos surfistas brasileiros que anualmente visitam aos milhares suas praias de ondas longas e geladas.
Daí em diante existe um mundo a ser descoberto. Havaí, Taiti, Austrália, Maldivas, Micronésia, Cabo Verde, Mentawai e um infinito número de destinos esperam pelo espírito aventureiro dos caçadores de ondas, tanto os que já estão nessa infinita procura  quanto os novos desbravadores que surgem a cada nova temporada.

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