terça-feira, 23 de julho de 2013

Ciclismo - O caminho de Froome até o Tour de France, Doença na África, gafe, 'guerra fria' na equipe e acusações de doping marcam a carreira do novo campeão

Fonte Prólogo, Por Bruno Eizo
Foto: Graham Watson
Novo campeão do Tour de France, Chris Froome tem o perfil ideal para uma história de superação e vitórias típica de filmes sobre esporte. Nascido no Quênia, sofreu com doenças na África, teve um início no ciclismo cheio de erros até explodir como atleta, mas não sem antes provar para sua equipe que poderia substituir a maior estrela do time na competição mais importante no ciclismo e que compete 'limpo'

Aos 28 anos, Chris Froome nasceu em Nairóbi, capital do Quênia. Filho de imigrantes britânicos, não teve uma infância fácil na África. Sofreu com a esquistossomose, doença crônica causada por parasitas, e vendia abacates durante suas pedaladas quando ainda era criança. Sua primeira competição no ciclismo foi no mountain bike, aos 12 anos.

Com 14 anos mudou-se para a África do Sul. Estudou economia por dois anos na Universidade de Joanesburgo antes de profissionalizar-se no ciclismo. Representando o Quênia, realizou uma pequena gafe no Campeonato Mundial sub-23 de 2006, em Salzburg (Áustria). Antes da largada do contrarrelógio individual, trombou com um dos juízes levando os dois ao chão. Por sorte ninguém se machucou e ele terminou na 36ª posição.

Sua primeira equipe foi a sul-africana Konica Minolta, em 2007. No ano seguinte já estava na Barloworld, time pelo qual disputou seu primeiro Tour de France. Terminou na 84ª posição e em 11º entre os jovens. 

Em 2009 participou de seu primeiro Giro d'Italia quando terminou na 36ª posição geral e 7º entre os jovens. Seu desempenho chamou a atenção de Rod Ellingworth, técnico da Sky e da seleção britânica. No ano seguinte, Froome mudou-se para a Sky e passou a defender a Grã-Bretanha.

No seu primeiro ano de Sky, teve como melhor resultado a 9ª colocação no Tour du Haut Var. Mas já em seu primeiro Campeonato Nacional foi vice-campeão no contrarrelógio individual, perdendo apenas para Bradley Wiggins. 

2011 marcou o primeiro grande ano de Froome na Sky. Escalado como principal gregário de Bradley Wiggins na Vuelta a España, assumiu a liderança da competição após um bom desempenho no contrarrelógio individual. No final terminou na segunda colocação geral, uma a frente de Wiggins.

Entre 2011 e 2012 voltou a sofrer com a esquistossomose. Mesmo assim participou do Tour de France de 2012, quando foi novamente escalado como principal gregário de Bradley Wiggins. Na competição francesa venceu a 7ª etapa, mas sempre trabalhando a favor de seu companheiro de equipe o que muitas vezes prejudicou seu desempenho. No final, Wiggins sagrou-se o primeiro britânico a vencer o Tour de France, com Froome terminando em segundo.

Ainda em 2012 foi medalha de bronze no contrarrelógio individual dos Jogos Olímpicos de Londres e quarto lugar na Vuelta a España.

No início de 2013 declarou publicamente seu interesse em ser o líder da Sky no Tour de France. Na época foi apoiado pelo então campeão Bradley Wiggins, que estava focando seus treinos no Giro d'Italia e tinha a garantia da direção da Sky de que seria o capitão na França. 

Mas semanas antes do início do Giro, Wiggins voltou atrás e demonstrou interesse em participar das duas competições sonhando em vencer ambas. A declaração não agradou Froome, que voltou a declarar que a equipe estava ao seu lado. Rapidamente Dave Brailsford, gerente da Sky, reiterou que Froome seria o capitão do time.

No final, Wiggins teve um desempenho abaixo do esperado no Giro d'Italia, precisando abandonar a competição devido a uma infecção pulmonar. Ainda sofreu um lesão no joelho retirando o de vez da lista da Sky para o Tour de France e abrindo caminho mais do que favorável para Froome brilhar no Tour.

Com um desempenho fantástico no ano (título no Tour de Romandie, Critérium du Dauphiné, Critérium International e Tour of Oman), Froome entrou como principal favorito à conquista do Tour de France ao lado de Alberto Contador.

Mas o que se viu na competição francesa foi um grande domínio do britânico e um desempenho abaixo do esperado do bicampeão do Tour. Froome assumiu a camisa amarela na 8ª etapa após vencer no Ax-3-Domaines. Foram mais duas vitórias, uma no mítico Mont Ventoux e outra em um contrarrelógio individual, desempenho que fez levantar suspeitas sobre um possível doping.

"É muito triste que estejamos sentados aqui um dia depois da maior vitória da minha vida, uma vitória histórica, e estejamos falando sobre doping", disparou Froome, durante coletiva de imprensa após sua vitória no Mont Ventoux. 

"Meus companheiros de equipe e eu dormimos em vulcões para nos prepararmos. Passamos meses longe de casa treinando, trabalhando duro para estar aqui. E estou sendo acusado de ser um mentiroso, o que não é legal. Não sei nada sobre isso (doping). Sei o que fiz para estar aqui e estou muito orgulhoso disso. Lance (Armstrong) trapaceou, eu não. Eu não sou ele. Fim da história", completou o ciclista.

No final, vitória até certo ponto tranquila para Froome, com 4min20s de vantagem para Nairo Quintana. E limpa, já que tanto a Wada (Agência Antidoping Internacional) quanto a organização do Tour garantiram que o ciclista competiu sem doping.

Primeira camisa amarela para Froome, que não esconde o sonho de mais conquistas já a partir de 2014.

"Todo ano as coisas mudam com o perfil da competição, mas eu gosto de pensar que eu sou um ciclista equilibrado. Eu tenho um bom contrarrelógio e posso escalar muito bem. Eu não consigo imaginar o que mais eles podem colocar no Tour para que eu tenha dificuldades. Então eu gosto da ideia de voltar todo ano e focar no Tour", declarou. Hegemonia vindo?


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