terça-feira, 6 de agosto de 2013

Surf - Pablo Paulino, O sonho continua

Por Ader Oliveira - Fonte Waves
Dono de dois títulos mundiais na categoria Pro Junior, Pablo Paulino encara momento de ostracismo, mas ainda sonha com o título mundial. Foto: Francisco Chagas.
O cearense Pablo Paulino vive uma rotina muito diferente na atualidade. Acostumado a conquistar títulos e a viajar pelo mundo, ele está sem patrocínio e poucas vezes tem saído de Fortaleza (CE), onde mora com a família.


Apontado como uma das principais promessas do surf mundial, o surfista de origem humilde foi revelado na praia do Titanzinho, um dos maiores celeiros de talentos do surf cearense. De lá saíram nomes como os ex-tops do WCT Fábio Silva e Tita Tavares.

Diferentemente de Tita e Fabinho, Pablo não chegou ao badalado WCT, mas possui dois títulos mundiais na categoria Pro Junior, feito obtido apenas por ele e pelo australiano Joel Parkinson.
Pablo mostra que suas manobras continuam ousadas. Foto: Lima Jr.
O cearense de 26 anos possui ainda dois títulos nacionais nas categorias amadoras (Júnior e Mirim em 2003) e um título sul-americano da ASP em 2009.

Apesar do momento difícil, Pablo ainda acredita em seu talento e quer uma nova chance de uma marca para buscar a tão sonhada vaga na elite mundial.

Como anda sua rotina ultimamente? Como tem feito para viver sem patrocínio?

Continuo treinando bem a parte física. Estou bem focado, surfando todos os dias. Tenho um benefício do Governo do Estado do Ceará, o Bolsa-Atleta.
Tem disputado eventos? 

Tenho participado mais dos eventos nordestinos e do circuito cearense. São nessas etapas que eu consigo estar sempre presente ultimamente.


E as pranchas?


Estou com um apoio de pranchas do shaper Fabiano Dias, aqui do Ceará.


O que você sente quando vê seus amigos e adversários disputando etapas do WQS pelo mundo e você afastado do circuito?

Fico triste, tenho muita saudade. É um sonho estar nessas etapas e fico muito sentido por estar fora do Tour, mas muito focado e treinando mais do que antes. Estou bem determinado. O que eu quero é voltar a competir no circuito mundial.
Você teve um patrocinador internacional e uma grande marca do surf brasileiro. Você teve tudo o que precisava para chegar ao WCT ou faltou alguma coisa? O que faltou?

O que mais me prejudicou foi quando eu machuquei o ombro e depois o joelho. Foram duas fraturas em menos de um ano. Fiquei fora de forma, meio pesado, enquanto me recuperava. Fiz fisioterapia, fiz dieta com nutricionista... Foi aí que comecei a me dar bem e quase me classifiquei para o WCT. Ganhava um determinado valor e muitas vezes havia quatro eventos no mês e o dinheiro não dava para viajar. Tinha que usar o dinheiro das minhas premiações para tentar ir a todos os eventos que classificavam para o WCT 

Quando foi campeão Pro Junior pela primeira vez, você chegou a receber uma proposta para morar na Austrália? Por que não quis?


O que recebi foi uma proposta do produtor de filmes Matt Gye. Só que para morar lá e ficar disputando o WQS eu teria que me bancar com um valor que estava fora da minha realidade financeira.
Assim como você, muitos atletas do Nordeste chegaram a morar ou ainda vivem no Rio de Janeiro. Qual a importância dessa mudança para você? Valeu a pena?

Valeu muito a pena morar no Rio de Janeiro, um lugar com uma qualidade muito boa de surf, com ondas pesadas, do jeito que eu gosto. É um lugar onde pretendo voltar a morar. Tenho muitos amigos e sinto muita saudade. São ótimas lembranças.
Como era a sua rivalidade com Mineirinho? Quais os melhores e piores momentos que você lembra dessa época?

Eu nunca vi o Minerinho como rival. Os piores momentos eram quando eu perdia para ele. O melhor momento foi uma virada nos minutos finais de uma etapa do Pro Junior na praia da Joaquina (SC), em 2004.
Se pudesse voltar no tempo, o que teria feito de diferente em sua carreira?

Se eu pudesse voltar no tempo, queria ter a cabeça que tenho hoje, ser mais focado, menos “cabeça-quente”, e evitado discussões.

Você, ao lado do Parko, é o único bicampeão mundial Pro Junior, um feito e tanto diante dos outros surfistas que já disputaram esse título. Nos últimos eventos da ASP, os locutores gringos se referiram ao Parko como único bicampeão, aparentemente porque esqueceram de você. Considera que sua carreira e talento foram desperdiçados?

Acredito que não sou um talento desperdiçado. Apenas estou esquecido por um momento, acredito eu. Estou sem patrocínio para viajar e disputar o circuito mundial, diferente do Parko, que tem um bom patrocínio, um salário animal e uma estrutura que poucos brasileiros têm.


Como tem feito para acompanhar a evolução do surf nestes anos em que está afastado? Tem treinado alguma manobra nova? Como está seu repertório?


Sempre acompanho as etapas do WQS e do WCT e assisto a muitos filmes de surf. Tenho treinado todas as manobras novas, sempre à procura da perfeição, e hoje estou mais confiante nas minhas manobras.


O que diria para um possível patrocinador que tivesse interesse em te contratar, para garantir que ele estaria fazendo um investimento certo?


Posso dizer a ele que fez uma boa aposta e um ótimo investimento e que não vai se arrepender. Vou levar a marca dele ao lugar mais alto que eu puder. Meu primeiro objetivo é me classificar ao WCT, e o segundo é ser campeão mundial.

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