quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Surf - Fukushima e todos nós

Por Tulio Brandão - Site Waves
Operação de retirada de combustível em Fukushima põe em risco a Costa Oeste dos Estados Unidos e o Havaí. Foto: SJY / ASP Japan.
O acidente de Fukushima revelou de modo incontestável ao mundo a face trágica da energia nuclear. Apresentada por defensores como energia limpa, por não liberar CO2 na atmosfera, a planta que gera energia com urânio pode também contaminar oceanos inteiros em caso de acidente. Países mais avançados, como a Alemanha, rapidamente entenderam o recado, banindo a fonte da matriz energética do país.

Começou na última segunda-feira uma delicada operação de retirada de combustível da piscina do reator 4 da usina. Os engenheiros admitem que esta é a ação mais arriscada desde que um tsunami, em março de 2011, devastou as instalações. 

Por todo o mundo, há preocupação. O Centro de Informação Nuclear Cidadã, organização independente de estudos sobre a energia, informa que a ação é parte inevitável do processo de desmantelamento da usina, que pode demorar décadas, mas adverte: “Inclui um trabalho que pode gerar um grande risco.”

Os surfistas podem não se dar conta, mas estão no centro do problema. Nos últimos meses, pesquisadores de várias partes do mundo têm divergido publicamente sobre o risco de contaminação do mar na Costa Oeste dos Estados Unidos e no Havaí. 

O pesquisador GuiJun Han, que publicou seu estudo na Science China, afirma que o risco à saúde pública existe nas duas regiões, enquanto cientista do International Pacific Research Center avaliam que o risco está entre o “minúsculo e o inexistente”.

Modelos matemáticos, no entanto, informam que a pluma radioativa que já está no oceano deve alcançar a Costa Oeste americana ano que vem e o Havaí em 2015. Agora, se vai chegar diluída a níveis seguros ou concentrada, não há unanimidade. Caso a operação iniciada hoje não dê certo, todos os cálculos terão que ser revistos.

O que é certo é que surfistas devem, sim, questionar, desconfiar de peritos ligados à indústria e procurar saber tudo o que se passa em seu oceano mais rico antes de remar na primeira onda. Sabemos que há bilhões em jogo, mas há, antes de tudo, um planeta saudável em jogo. 

Uma dica a quem estiver a caminho do arquipélago havaiano: dê uma busca detalhada no site do governo local, na página que trata sobre o problema. Vá lá. http://health.hawaii.gov/docd/php/radiation/ 


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